(…)
— ainda mais agora que ele se tornou uma pessoa muito melhor.
— Sério, E o que aconteceu com para ele mudar tanto, pois ele sempre foi um filho da p#ta?
— Ele morreu
(…)

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— ainda mais agora que ele se tornou uma pessoa muito melhor.
— Sério, E o que aconteceu com para ele mudar tanto, pois ele sempre foi um filho da p#ta?
— Ele morreu
(…)
Tem Paladino que diz não aceitar nada que vá além do seu merecimento, mas é o primeiro a levantar a mão quando lhe é oferecido, e sai no melhor estilo gatuno, quando tudo aquilo que não é dele está em suas mãos.
Para mim não existe essa de pessoas boas e pessoas más, para mim todas as pessoas são más, isso só depende da perspectiva que se olha.
A fé não tem a ver só com religião, a fé na verdade nada mais é que a quantidade de vontade que você tem que algo aconteça ou até mesmo exista. E isso independe da religião ou crença.
Enquanto escolas parecerem presídios, enquanto alunos continuarem a serem tratados como presos, ninguém poderá reclamar de como as coisas, pois tratam os alunos como animais e querem que eles ajam feito os melhores seres humanos. Cada educador recebe aquilo que estimula.
A escola não ensina mais nada a ninguém, pois só deseduca e repreendi…
Obviamente esses não são os únicos problemas da educação, pois como disse Marcola, não tem como solucionar um problema quando não se consegue enxergar se quer a extensão dele…
PS: Esse post eu comecei a escrever, mas não terminei, quando eu terminar eu coloco o restante, mas fiquem á vontade para comentar “ou não”.
…Eu preciso dar forma e voz ao que sinto…
Diga para sempre, e se arrependera.
Sempre ouvi exaustivas vezes seus sermões e lições sobre honestidade e verdade, mas o que você se esqueceu foi de ser honesto e verdadeiro.
Sempre aprendendo o certo com as pessoas erradas, Mas eu gosto disso.
E se tudo não serviu para nada? E se tudo acaba aqui, já, agora. Estou começando a desconfiar disso, afinal, não é nos dado garantia alguma, quer dizer, somente uma, que todas as pessoas que gostam de você vão morrer, mas quanto a isso pode ficar tranqüilo, pois as pessoas que realmente te amam, e as que você ama, nunca são as mesmas pessoas. Isso porque temos e cultivamos aquela velha mania de tratar pessoas como objetos, e objetos como pessoas. Mas quanto a isso fique tranqüilo, pois sempre foi assim e não é porque você fica triste com isso que essas coisas vão mudar. Você mesmo não vai mudar os velhos defeitos, se é que podemos chamar de defeitos, prefiro usar a palavra “característica”, isso é de nós, e não pense que só porque estou escrevendo isso, que eu estou fora dessa estatística. Acho que sou até pior, pois consigo enxergar tudo isso, e mesmo assim não mudo.
Por isso não julgue ninguém, afinal, você não é muito diferente dele… Pelo jeito, tudo não valeu de nada.
Entrevista do Marcola
23/05/2006
“Estamos todos no centro do insolúvel”
Você é do PCC?
- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… Vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez: alocou uma verba para nós? E nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…
- Mas… A solução seria…
- Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psico-social profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível.Não há solução.
- Você não tem medo de morrer?
Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… Mas eu posso mandar matar vocês lá fora… Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado n’uma vala… Vocês, intelectuais, não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… Mas, meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse País. Não há mais proletários ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
- O que mudou nas periferias?
Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$ 40 milhões, como o Beira-Mar, não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
- Mas o que devemos fazer?
Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete antitanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… P’ra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo… Já pensou? Ipanema radioativa?
- Mas… não haveria solução?
Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco… Na boa… Na moral… Estamos todos no centro do insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… Não tem saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabe por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi che entrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.
Muitos pensam que eu sou um nazi-ateu, mas estou muito longe disso, pois na minha opinião ateus são para mim nazi-religiosos ao contrario, pelo simples fato de ambos quererem apenas uma coisa, mas utilizando o mesmo método, que é, te chamando de burro.
Os nazi-ateus de um lado o chamando de burro por acreditar em algo tão fantasioso, e os nazi-religiosos por outro lado te chamando de burro por não acreditar em algo tão fantasioso.
Sobre tudo isso, não concordo e nem discordo, muito pelo contrario.